Imagens Inêsquecíveis - Opinião

by - quinta-feira, outubro 17, 2013

Por: Fábio Santos

Não se pode falar de imagens sem primeiro entender quem está por detrás da foto. A alma da pessoa muitas vezes transpassa as fotografias pois ela não se consegue separar da imagem que cria. Temos que ter sempre em mente que a foto foi uma tentativa de recriar a visão da autora.
Assim, depois de entender isto, podemos então conhecer a autora destas Inêsquecíveis fotografias. Apesar de muitas vezes se pensar que uma imagem lê-se mais facilmente que por exemplo um texto, mas não é verdade. De facto, uma imagem, sendo analisada verdadeiramente, demora muito mais tempo que o texto, porque temos que não só considerar o autor, receptor, contexto, etc., mas outros elementos nativos de uma imagem, como a cor, enquadramento, escala, ângulo entre outros.

Primeiramente destaca-se o uso da focagem de objectos em primeiro plano, deixando muitas vezes o fundo desfocado. Isto mostra que a autora tem a preocupação em focar o mais importante da sua vida, não descoroando claro de todo o envolvente. Isto revela que existe um esforço em proteger o que para ela realmente importa, como a família, um tema recorrente nas fotos.
Outra caraterística muito distintiva são as cores. Mais uma vez transpassa uma preocupação em captar as cores e texturas no primeiro plano. Tenta manter as cores vivas e bem distintas, mas mantendo sempre as tonalidades nativas. A não edição das imagens revela uma intenção clara de procurar a verdade em tudo o que vê. Denota-se que a autora procura afastar-se de tudo o que é superficial e centra-se em algo mais profundo, algo com significado/importância para ela. Muitas vezes recai para a família como sendo o seu núcleo.

O enquadramento das fotografias é muito próprio, ainda que haja sempre uma tentativa em usar novos ângulos nas fotografias. Isto mostra que a autora quer mostrar através da sua fotografia a sua visão pessoal, afastando-se aqui de fotografias mais genéricas. Para além do bom gosto e dedicação às fotografias que produz, revela o esforço em conservar o seu individualismo como sendo algo inato e importante na sua vida. Mais uma vez, foca-se no que importa verdadeiramente.
Com isto consegue captar muito bem as texturas focadas em primeiro plano. É recorrente o foco nas mãos, não tentando dissimular os traços na pele mais sim evidenciando-os. Mostra uma consciência da efemeridade da vida, bem como a maturidade para entender o mundo que a rodeia.

Em todas fotografias ficamos com a sensação de preservação de um momento especial. Esse é o ponto de qualquer fotografia claro mas a autora tenta fazê-lo de uma forma muito honesta e verdadeira, não alterando o que vê nem tentando sequer melhorar o que a rodeia, quer apenas ser verdadeira com a sua imagem e principalmente consigo mesma. Procura sempre algo de verdadeiro em tudo o que faz e vive.

Numa nota pessoal, posso dizer que adorei as fotos. São lindas e espelham bem a natureza da Inês. É uma pessoa doce e carinhosa que apenas quer ser aceite como é e ser feliz. Ainda que a preservação da sua individualidade possa em alguns casos ter sido penosa, como aliás é comum com pessoas que se destacam da maioria, ela esforça-se por manter-se verdadeira ao seu coração.
Ao ver as suas fotografias não posso deixar de ficar encantado com a pessoa por detrás delas, que sendo tão especial e única, à sua maneira claro, torna um simples objecto numa foto com vida própria e com um sentimento muito presente.


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1 Comentários

  1. Que palavras tão bonitas! Concordo com qualquer uma das palavras; sou uma amante de fotografia e tento registar tudo quanto posso. Tenho medo, sei lá, de um dia me vir a esquecer de algum detalhe da minha vida...

    Um beijinho, Sara ♥
    http://littletinypiecesofme.blogspot.pt/

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